Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para o banheiro, fez a barba e lavou-se. Vestiu-se rapidamente e sem ruído. Estava na cozinha, preparando sanduíches, quando a mulher apareceu, bocejando:
— Vais sair de novo, Samuel?
Fez que sim com a cabeça. Embora jovem, tinha a fronte calva; mas as sobrancelhas eram espessas, a barba, embora recém-feita, deixava ainda no rosto uma sombra azulada. O conjunto era uma máscara escura.
— Todos os domingos tu sais cedo — observou a mulher com azedume na voz.
Então Samuel olhou para sua mulher e disse:
— Tu sais todas as sextas à noite e nem por isso lhe faço perguntas, respondeu-lhe. A mulher fez um olhar enraivecido e ficou quieta, até que ele voltou a falar:
— Tu achas que estou lhe traindo? E iria fazer este, justo às 7 da matina - abrindo um sorriso logo após.
A mulher novamente o olhou com um olhar de desconfiada, mas virou-se e foi arrumar a casa. Samuel saiu sem preocupações.
Voltou horas depois e encontrou sua mulher vermelha de raiva.
— Onde você estava? Por que não atende o celular? Com quem você estava? - e nem prestou atenção que Samuel voltara com um peixe muito grande em suas mãos.
Ricardo
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